24 Laboratórios Oficiais de oito estados são representados hoje pela Associação.
O ano de 2025 representa um marco histórico para a representação institucional da ALFOB. Com a adesão do Laboratório Industrial Farmacêutico do Estado da Paraíba S/A – LIFESA, a Associação passa a representar 24 unidades fabris, de pesquisa, desenvolvimento, ensino e inovação tecnológica, distribuídas por oito estados brasileiros (acesse a lista aqui).
Apresentando um potencial produtivo que supera seis bilhões de unidades farmacêuticas e 300 milhões de doses de vacina por ano, os Laboratórios Oficiais constituem uma base produtiva e tecnológica que exerce papel decisivo para que o Sistema Único de Saúde – SUS atenda às necessidades de saúde da população brasileira.
Os Oficiais fornecem fármacos para o tratamento de câncer, hepatite viral, hipertensão e diabetes, tuberculose, hanseníase e malária. Respondem por 100% da demanda nacional dos 15 diferentes tipos de soros disponibilizados pelo SUS (antipeçonhentos, antitetânico, antirrábico, antibotulínico e diftérico).
Atendem a mais de 50% da demanda por medicamentos para Infecções Sexualmente Transmissíveis – IST e HIV/aids, produzindo ainda dezenas de reativos para diagnóstico (kits) de doenças transmissíveis.
Por tudo isso, ao colocar-se a serviço da saúde pública, os Laboratórios Oficiais do Brasil – consideradas umas das mais robustas redes fabril e logística públicas do mundo – também atuam como reguladores de preço no mercado nacional e demonstram ser insubstituíveis para a assistência às Doenças e Populações Negligenciadas, Drogas Órfãs e Doenças Socialmente Determinadas.
O infográfico a seguir mostra a evolução do número de Laboratórios Associados ao longo das quatro décadas da ALFOB, considerando os principais marcos históricos da saúde pública brasileira e fatos relevantes na trajetória da Associação.
O presidente da ALFOB, Jorge Souza Mendonça, distingue três momentos históricos na trajetória dos Laboratórios Oficiais após a fundação da Associação, em 1984. O primeiro deles segue até meados dos anos 1990, quando a Constituição Federal e a legislação complementar instituíram o arcabouço institucional do SUS. Os últimos anos da década de 90 e início dos anos 2000 formam um segundo momento, marcado pela afirmação das políticas estruturantes da assistência farmacêutica.
Segundo Mendonça, o terceiro momento teve início com a implantação da Política de Desenvolvimento Produtivo do Complexo da Saúde, em 2008, inaugurando um modelo de parceria público-privada em que a capacidade de compra do SUS atua como indutora dos processos de transferência de tecnologia.
Ele avalia que a resposta dos Laboratórios Oficiais às políticas públicas fortalece o papel de representação institucional da ALFOB perante o Complexo da Saúde, gerando um ciclo virtuoso que abre novas oportunidades aos associados. “Quanto mais forte é o SUS mais fortalecidos se tornam os Laboratórios Oficiais e vice-versa.”
Matriz de Desafios e Programa de Governança
— Com a retomada em 2023 da Estratégia de Desenvolvimento do Complexo da Saúde, quatro novos programas estruturantes vieram se somar à PDP: inovação local, doenças e populações negligenciadas, estruturação física e tecnológica e o desenvolvimento de vacinas, soros e outros imunobiológicos. Outros avanços que alcançamos foi a inclusão do SUS como uma das missões da Nova Política Industrial e o PAC Saúde, o que amplia a disponibilidade de recursos para os Laboratórios Oficiais.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços – MDIC, até o final de 2026, deverão ser realizados investimentos totais de R$ 60 bi no Complexo da Saúde (R$ 20 bi em recursos públicos e R$ 40 bi privados).
Na última plenária do Grupo Executivo do Complexo da Saúde – GECEIS, em maio de 2025, foram anunciados cerca de R$ 2,4 bi, contemplando sete projetos de PDP e 22 de inovação local por meio de 19 proponentes e 31 parceiros. Cerca de 60% dos mais de 320 projetos apresentados ainda serão analisados e novos Laboratórios Oficiais devem ser beneficiados.
O presidente da ALFOB afirma que esses investimentos estão comprometidos com o alcance dos 13 objetivos da Matriz de Desafios Produtivos e Tecnológicos em Saúde e com o Programa de Aprimoramento da Governança, Integridade e Gestão Produtiva dos Laboratórios Oficiais, conduzido de forma paritária com o Ministério da Saúde.
Educação continuada – O vice-presidente da ALFOB e diretor Comercial do Laboratório Farmacêutico do Estado de Pernambuco – Lafepe, Djalma Dantas, observa que o fortalecimento dos Laboratórios Oficiais e da sua associação representativa vem gerando um outro resultado muito importante, que é a desconcentração regional das plantas produtivas e da inovação tecnológica.
“O Nordeste vem sendo contemplado, o que é muito importante, tanto por promover o desenvolvimento regional quanto por fortalecer a autonomia produtiva e tecnológica dos nossos estados, que abrigam 30% da população brasileira”, avalia.
Segundo Dantas, um dos desafios postos pela expansão, diversificação e governança dos Laboratórios Oficiais é a educação continuada das suas equipes profissionais. “A ALFOB reúne condições para promover o intercâmbio científico e tecnológico entre os nossos associados, com apoio das Instituições de Ensino e Pesquisa, contribuindo para reduzir disparidades e qualificar o conjunto dos Laboratórios rumo à superação das suas barreiras produtivas e tecnológicas”, preconiza.
Diálogo e formulação – O diretor de Novos Negócios e Relações Institucionais do Instituto de Tecnologia do Paraná – Tecpar, Celso Kloss, sublinha a ampliação da capacidade de interlocução e diálogo atingida pela ALFOB nos últimos anos como um dos fatores que estimulam a adesão de novos Laboratórios Associados. Para o diretor da ALFOB, a Associação posiciona-se atualmente como uma das entidades mais atuantes dentro do Complexo da Saúde.
“As nossas Assembleias, Congressos e Encontros representam hoje um espaço para o debate qualificado com as instituições representativas do setor produtivo e a gestão pública, o que nos coloca cada vez no centro dos processos de formulação e contribuição com os rumos do Complexo da Saúde”, salienta.
Para Kloss, a atuação da ALFOB e dos seus Laboratórios Associados constitui-se em um “fator estratégico essencial” para reduzir a dependência do Brasil em relação às plantas fabris que “não estão em solo brasileiro”.
