Vital Brazil prevê retomada em 2025 e CPPI inicia obra para recuperar a produção dos soros antiloxoscélico e antibotrópico
A reinauguração da Fábrica de Soros Hiperimunes pela Fundação Ezequiel Dias – Funed, ocorrida no dia 25 de março de 2025, será decisiva para regularizar o abastecimento nacional desses imunizantes que são distribuídos Ministério da Saúde.
Os investimentos realizados pelo Governo de Minas na Fábrica e na Fazenda Experimental São Judas Tadeu (município de Betim) asseguraram o cumprimento das Boas Práticas de Produção – BPF, exigidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa. (Na foto acima, a sede da Funed, em Belo Horizonte-MG)
Inicialmente, serão produzidas 150 mil ampolas por ano, com potencial para alcançar até 200 mil unidades anuais, segundo o presidente da Funed, Felipe Attiê.
“A Funed irá contribuir com quase 40% da demanda do País, afirma ele. Attiê informa que os primeiros lotes serão entregues pela Funed ao Ministério da Saúde ainda no mês de agosto.
A Funed iniciou a extração de veneno de serpentes em 1918, em parceria com o Instituto Butantan e, posteriormente, com o Instituto Vital Brazil, tornando-se referência no combate ao escorpionismo. A produção própria da Fundação foi iniciada em 1935 e interrompida em 2016, por determinação da Anvisa.
Atualmente, a Funed mantém registro para a produção de oito tipos de soros. A previsão é produzir, em 2025, os soros antibotrópico (pentavalente), anticrotálico (cascáveis) e antiescorpiônico, ampliando linha de fabricação por meio de novos contratos com o Ministério da Saúde.
Até a reinauguração da Fábrica da Funed, o abastecimento de soros hiperimunes estava sendo assegurado unicamente por outro Laboratório Oficial Associado à ALFOB, o Instituto Butantan, vinculado à Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo.
O Butantan produz oito tipos de antivenenos e, além dos antipeçonhentos, também fornece as soluções para o combate ao botulismo, raiva, tétano e difteria, totalizando 12 opções de soros hiperimunes em cerca de 600 mil frascos fornecidos anualmente ao Ministério da Saúde.
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Os resultados positivos vão além. Com investimento na modernização, qualificação e ampliação das linhas produtivas, os Laboratórios Oficiais do Brasil esforçam-se para assegurar a autossuficiência do País e o atendimento das necessidades de saúde da população brasileira em relação aos soros hiperimunes.
O Instituto Vital Brazil – IVB, localizado em Niterói (Região Metropolitana do Rio de Janeiro), confirma que a retomada da produção de soros está prevista para ocorrer ainda em 2025. O IVB também teve sua produção interrompida em 2016 por determinação da Anvisa, que deve fazer uma vistoria técnica no Instituto em junho.
Em Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba-PR, o Centro de Produção e Pesquisa de Imunobiológicos – CPPI, vinculado à Secretaria Estadual da Saúde, assinou no último dia 17 de março de 2025 Ordem de Serviço para concluir a construção da área de imunização de equinos para a produção de plasma, etapa necessária para a retomada da produção do soro antiloxoscélico, que combate o veneno da aranha marrom, também interrompida em 2017 pela Anvisa.
A finalização da obra, com investimento de R$ 1,85 mi do Governo Estadual, também permitirá a produção do antibotrópico, além das pesquisas com o soro anti-Covid e apoio ao projeto Wolbachia (para controle da dengue).
Liofilização – Maior produtor nacional, o Instituto Butantan é outro Laboratório Oficial que investe na qualificação da produção dos soros hiperimunes. Com recursos assegurados pelo Ministério da Saúde no final de 2023, está em fase de execução a sua fábrica de soros liofilizados (em pó). Os investimentos foram assegurados por meio da Estratégia Nacional para o Desenvolvimento do Complexo Econômico Industrial da Saúde – CEIS.
Estão previstos R$ 222 mi para a construção e instalação da fábrica de processamento de soros e outros R$ 92 milhões para a compra dos equipamentos necessários para a fábrica de soros liofilizados.
A liofilização é o processo de secagem da substância, concentrando as partículas sólidas. Essa técnica permitirá que os soros produzidos sejam conservados em temperatura ambiente, facilitando o transporte, armazenamento e utilização, inclusive em áreas remotas do Brasil.
A incidência de acidentes ofídicos é cinco vezes maior na Amazônia do que no resto do país, afetando diretamente populações indígenas e ribeirinhas. Com a ampliação da fábrica, a capacidade de produção de soros do Butantan deverá dobrar, passando dos atuais 600 mil para 1,2 milhão de frascos por ano.
Soros fornecidos pelo PNI
O Programa Nacional de Imunizações – PNI, instituído em 1973, prevê atualmente o fornecimento dos seguintes soros hiperimunes por meio das unidades do Sistema Único de Saúde:
- Soro antiaracnídico (loxoceles, phoneutria e tityus)
- Soro antibotrópico (pentavalente)
- Soro antibotrópico (pentavalente) e antilaquético
- Soro antibotrópico (pentavalente) e anticrotálico
- Soro anticrotálico
- Soro antielapídico (bivalente)
- Soro antiescorpiônico
- Soro antilonômico
- Soro antirrábico humano
- Imunoglobulina antirrábica
(Com Ascom dos Laboratórios Oficiais e Site do PNI)