Pesquisa sobre saúde mental na pandemia

A primeira fase da Pesquisa do Ministério da Saúde que reuniu informações sobre a saúde mental do brasileiro durante a pandemia da COVID-19 revelou que a ansiedade é o transtorno mais presente no período. Os resultados preliminares foram levantados a partir do questionário online disponível entre 23 de abril a 15 de maio. O estudo monitora a evolução dos transtornos citados pelos participantes que disponibilizaram contato no formulário.

Após a primeira etapa, foi verificada a elevada proporção de ansiedade (86,5%); uma moderada presença de transtorno de estresse pós-traumático (45,5%); e uma baixa proporção de depressão (16%) em sua forma mais grave. Os dados são refletidos nos questionários de escalas para rastreios das condições psicológicas dos pesquisados, que também foram submetidos às questões sociodemográficas.

A amostra preliminar da primeira fase é resultado da análise de 17.491 indivíduos com idade média de 38,3 anos, variando entre 18 e 92 anos. A maioria dos participantes é do sexo feminino (71,9%), de raça/cor autorreferida branca (61,3%), casados (44,3%), residentes em bairros populares (46,8%) e com renda mensal variando entre R$ 1.049,00 e R$ 2.096,00 (24,3%). Os dados revelam, ainda, que 25% deles concluíram ensino superior e trabalharam para uma pessoa ou empresa privada (25,5%), sendo 18% desempregados e 20,2% profissionais de saúde.

A própria residência foi apontada como o principal local de trabalho dos indivíduos analisados, sendo que 31% continuavam trabalhando e 93% adotaram o distanciamento social. A grande maioria (98,1%) não havia sido diagnosticada com a COVID-19. De forma também preliminar, a primeira fase da pesquisa indica que houve um total de 25.118 acessos ao questionário online, vindos de todas as unidades federativas e Distrito Federal, e de 759 municípios.

Com relação ao rastreio dos transtornos mentais, o instrumento para a avaliação de ansiedade já instalada foi preenchido por 12.676 indivíduos, enquanto os instrumentos de avaliação de sintomas de ansiedade, depressão e transtorno do estresse pós-traumático foram preenchidos por 11.444, 11.150 e 9.015 indivíduos respectivamente. Fatores predisponentes aos transtornos citados também foram analisados.

Como a pesquisa pretende avaliar a evolução dos transtornos citados, o questionário possui ainda outras duas fases, usando os mesmos instrumentos de rastreio. Isso permitirá que comparações sejam realizadas. Na segunda fase, realizada entre os dias 10 e 31 de agosto, o uso de álcool e outras drogas durante a pandemia também foi investigado, assim como a procura dos participantes por serviços de saúde mental. Os resultados dessa etapa ainda estão sendo levantados.

Os dados do estudo completo serão divulgados após o final da terceira etapa, em meados de dezembro de 2020. O objetivo é acompanhar a evolução dos participantes das fases iniciais da pesquisa com relação aos transtornos citados. O mesmo período foi respeitado entre o fim da primeira etapa até o início da segunda.

Ações na pandemia

Durante a pandemia, o Ministério da Saúde reforçou o atendimento em saúde mental. Foram investidos R$ 1,1 milhão para ampliação dos serviços e incentivada a abertura de 24 novos Centros de Atenção Psicossocial (Caps), 11 Serviços de Residência Terapêutica (SRT), uma Unidade de Acolhimento Infanto-juvenil e 40 novos leitos de saúde mental em hospital geral. Além disso, 21 Equipes Multiprofissionais de Atenção Especializada de Saúde Mental para atendimento ambulatorial foram habilitadas.

Também foi realizada a transferência de recursos financeiros de custeio para aquisição de medicamentos do Componente Básico da Assistência Farmacêutica utilizados no âmbito da saúde mental, em virtude dos impactos sociais ocasionados pela pandemia da COVID-19. A Portaria nº 2.516, de 21 de setembro de 2020, traz o impacto orçamentário de R$ 649.833.472,83.

Entre as iniciativas, também estão o lançamento das Ações de Educação em Saúde em Defesa da Vida, com atividades itinerantes e virtuais voltadas à prevenção do suicídio e da automutilação a partir do Setembro Amarelo, e o projeto Telepsi, que oferece teleconsulta psicológica e psiquiátrica para manejo de estresse, ansiedade, depressão e irritabilidade em profissionais dos SUS e de serviços essenciais que estão na linha de frente da COVID-19.

Dados sobre a rede

Entre os serviços de referência estão as cerca de 42 mil Unidades Básica de Saúde (UBS), na Atenção Primária, que atendem 63% da população. Já os 2.657 Centros de Atenção Psicossocial (Caps) ofertam acolhimento e tratamento à pessoa em sofrimento e/ou com transtorno mental e seus familiares – nesses serviços o cidadão é atendido e, caso seja necessário, é encaminhado para outro serviço especializado da Rede de Atenção Psicossocial (Raps).

Atualmente, a Rede também conta com 691 Residências Terapêuticas; 66 Unidades de Acolhimento (adulto e infantojuvenil); 1.641 leitos de saúde mental em hospitais gerais; 13.877 leitos em hospitais psiquiátricos e 50 equipes multiprofissionais de atenção especializada em saúde mental, e 144 Consultórios na Rua.

 

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Fonte: Marina Pagno, do Ministério da Saúde. Imagem: Studiogstock/Freepik