Furp pede patente de produto para desenvolvimento de medicamento contra malária

A Fundação para o Remédio Popular “Chopin Tavares de Lima” (Furp) desenvolveu, em parceria com a Universidade de São Paulo (USP), um produto que possibilitará melhorar o tratamento contra a malária. Com a substância, obtida a partir do uso de nanotecnologia, a fundação obterá a primeira patente de sua história e investirá, a partir de agora, no desenvolvimento de um medicamento, via oral, com maior poder de absorção pelo organismo, a ser distribuído futuramente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Trata-se de uma inovação. O medicamento, com o fármaco Artemeter, na forma de nanocristais,  possui maior superfície de contato e, portanto, maior solubilidade e eficácia. “O Artemeter apresenta baixa solubilidade em água, o que limita sua biodisponibilidade oral. A invenção dos nanocristais de Artemeter apresenta como vantagens o aumento da solubilidade de saturação e da velocidade de dissolução”, afirma Gidel Soares, gerente de Desenvolvimento Farmacotécnico da Furp.

“Os nanocristais são tendência na produção farmacêutica, são mais eficazes e seguros quando comparados aos medicamentos convencionais e podem ser obtidos em escala industrial”, afirma a professora-doutora Nádia Bou-Chacra, do Departamento de Farmácia da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP.

Em fase atual de ensaios de citotoxidade, as próximas etapas do desenvolvimento do medicamento serão a prova de conceito em modelo animal e os testes clínicos em humanos.

A Furp estima um investimento entre R$ 2,5 milhões a R$ 3 milhões para aquisição de equipamentos e produção do fármaco em escala piloto. Já a produção em larga escala para disponibilização do medicamento deve acontecer em cinco anos.

A ideia é, a partir da nanotecnologia, desenvolver não somente o medicamento de uso oral contendo os nanocristais de Artemeter, mas também outros “nanocristais Furp/USP”.

 

Fonte: Furp